Forças de segurança são treinadas para atuar com riscos de contaminação radioativa

Antônio Santiago

A Copa América, o principal torneio de futebol masculino entre seleções da América do Sul, começa já na próxima semana, com jogos também em Belo Horizonte. Para garantir segurança aos torcedores e moradores da cidade, Minas Gerais realizou, nesta quinta-feira (6/6), mais uma das atividades de prevenção e aprimoramento de segurança.
Cerca de 30 profissionais - entre bombeiros, policiais civis, militares, federais e rodoviários federais, além de agentes penitenciários - foram capacitados para uso de detectores de radiação e identificação de possíveis riscos de contaminação radioativa.
O curso foi realizado a partir de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), por meio da Escola Integrada de Segurança Pública, e o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), localizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também estiveram presentes na capacitação.
As disciplinas abordaram formas de contaminação radioativa que extrapolam a ideia, do senso comum, de que o risco em eventos de grande porte, como a Copa América, é de apenas um ataque com material radioativo. 
Todo o curso foi realizado de forma integrada. “Reforçar os trabalhos de inteligência, favorecendo o fluxo de informações, é primordial para que haja um combate mais eficiente e eficaz, trazendo mais segurança à população”, afirma o subsecretário de Integração da Sesp, cel. Etevaldo Caçadini.

O capitão do Corpo de Bombeiros, Cristiano Antônio Soares, também destaca que os constantes treinamentos realizados pelos militares da corporação na CDTN. “Em uma situação de crise, o bombeiro precisa ter habilidade para agir”, observa.
Para o sargento Telmo Lucas, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar, a parceria complementa o trabalho de ação antibomba desenvolvido pela equipe, já que um explosivo pode conter material radiativo. “Trabalhamos com identificações físicas. A radiação é invisível aos olhos. Por isso, este trabalho conjunto é fundamental para uma atuação rápida, diante de uma situação suspeita”, diz o militar.
Segundo o diretor do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear, Luiz Carlos Ladeira, haverá uma equipe de plantão - reforçada - durante os jogos da Copa América. O grupo atuará em conjunto com as forças policiais, conforme as demandas apresentadas.
“Caso seja identificado algum problema, estaremos aqui para agir na retaguarda. Receberemos um evento de visibilidade nacional. É prudente compreender que precisamos de uma capacidade de resposta imediata. Temos que nos preparar para fazer este enfrentamento, seja por um problema acidental, seja por um atentado. No Brasil, não temos nenhum registro deste tipo de ataque, mas o mundo é uma aldeia global”, defende o diretor.