Fugir ou correr às dores?

Um dia ouvi um grande comandante dizer que o que difere um profissional do outro são os detalhes. E pode ser que em um primeiro momento, quem faça a leitura do início desses escritos ainda não consiga compreender o que isso quer dizer. Não sem razão se insere o título que está capitaneado nesta crônica. Bem, há muitas diferenças entre um homem e outro, entre um profissional e outro. Mas entre os bons, existem os melhores! E, inevitavelmente entre os melhores existem os excelentes e extraordinários profissionais e pessoas! Como distinguir cada um em sua função, em sua atividade, já que, por vezes, estamos cercados dos bons? Mais uma vez gostaria de lembrar um célebre pensamento, do grande poeta mineiro, Guimarães Rosa, que nos alerta que “é junto dos “bão” que a gente fica “mió””. É a mais pura verdade! Não há como se juntar aos bons e não se tornar melhor do que um dia já foi! O contrário também é verdadeiro. Tenho uma nítida impressão que a maioria não quer ser pior, se juntando aos ruins!

Então nos parece que se faz cogente esclarecer com mais transparência sobre como podemos ser melhores, sobre como podemos nos tornar “bons”. Bons não no sentido de bondade, mas de rara competência; bons na acepção de ser excelente; bons com sinônimo de ser destacado por desenvolver visão e atitudes diferenciadas. E igualmente estar com a maioria, contudo liderar a maioria para que assim ela possa ser melhor. Para que ela seja mais dedicada, mais comprometida e engajada em toda e qualquer missão dada. Uma pessoa diferenciada sem dúvida apresenta atitude prospectiva e proativa distinta. Mas como diz um ditado popular, “não basta ter iniciativa, é preciso ter acabativa”. E essa expressão popular nos remete a que não podemos apenas começar algo e deixar que se desenvolva por si só. O acompanhamento assíduo, a participação diária e consistente faz com que todo um trabalho possa se resplandecer em resultados exitosos e grandiosos.

Por assim dizer, alguns vivem com uma natureza de vítimas em tudo o que perfaz o seu caminho. Não se responsabilizam nem pelos passos que dão. E tentam se esquivar com desculpas por algo que aconteceu consigo por má sorte, por estar em um lugar errado, em hora errada. Não! Nada é por acaso! Nada é em vão! Definitivamente não podemos fugir às dores, como alguém que foge de sua cruz! Por vezes a dor presente será a fortaleza em momento futuro. E quanto mais nos colocarmos à disposição para elucidar os quebra-cabeças que nos acometem, mais estaremos preparados para enfrentar todo e qualquer embaraço que possa nos obstaculizar. Quando nos assentamos à frente, sem se esconder! Sem demonstrar medo do que possa ocorrer, mais luzes brilharão no caminho! Isso não é poesia, é realidade! Isso não é profecia, isso é resultado! Cada batalha ganha ou perdida é mais um tijolo na fortaleza que está sendo construída no caminho da paz ou da guerra com a qual iremos nos deparar! Um provérbio chinês nos orienta para que “sempre esperemos o melhor, mas também nos preparemos para o pior”! Talvez por um simples temor desconhecido e não arcado, uma simples agulha pode parecer uma lâmina de dois metros à frente se não nos aprontarmos para confrontá-la com todo nosso pensamento, com toda a nossa atitude e com toda a nossa força.

 

(*)1º Tenente PM - Comandante da 145ª Cia/10º Batalhão de Polícia Militar.