Live discutiu violência doméstica durante a pandemia

Claudia Maia, coordenadora do Grupo de Pesquisa Gênero e Violência da Universidade
Estadual de Montes Claros e do Grupo de Trabalho Nacional de Estudos de
Gênero da Associação Nacional de Professores Universitários

A montes-clanrense Claudia Maia, coordenadora do Grupo de Pesquisa Gênero e Violência da Universidade Estadual de Montes Claros e do Grupo de Trabalho Nacional de Estudos de Gênero da Associação Nacional de Professores Universitários participou da live realizada pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Rural do Recife, que discutiu a relação entre os casais por causa da Pandemia Coronavírus. A live foi transmitida pela plataforma do YouTube.

Na sua exposição, Claudia Maia mostrou que a pandemia da COVID-19, para além de tantas mortes e sofrimentos que tem causado, também escancarou as desigualdades sociais e de gênero no mundo todo e, por isso, um fenômeno que ganhou atenção em meio a catástrofe foi o aumento da violência contra mulheres no contexto do isolamento. Ela observa que a pandemia, não somente pela sua aleatoriedade na contaminação, mas também em razão de decisões políticas do Estado, melhor dizendo pela ausência de políticas públicas, aumentou a precariedade de indivíduos. Maia observou que muitos dos quais já preconizados, com a insegurança política e econômica, ansiedade, desemprego, diminuição da renda, perda de amigos e familiares.

Ela afirma que tudo isso afeta as pessoas de algum modo. Mas, as mulheres, além disso tudo, também são afetadas de maneira mais drástica pela violência de gênero que aumentou com todos esses fatores mencionados, embora em muitos Estados, como Pernambuco e Minas Gerais, os registros de denúncia de violência doméstica e familiar tenham diminuído. A explicação dessa redução pode ser encontrada nos motivos que em geral dificultam mulheres a denunciar como a vergonha, a preocupação com filhos, a falta de apoio da própria família, a ausência de resposta eficaz da polícia, da justiça e da assistência social.

Soma-se a esses motivos outros provocados pelo contesto da pandemia como a situação de cárcere que muitas mulheres se encontram; a presença mais constante do agressor dentro de casa; a insegurança econômica e lugar para onde ir.  No Brasil essa situação é agravada muito em função da descontinuidade nas políticas públicas de enfrentamento à violência no atual governo, além da expansão e banalização dos preconceitos de gênero.