Boneca de sete metros chamou a atenção para abandono

A “Boneca de Sete Metros”  foi criada no imaginário na década de 80, pelo jornalista João Carlos Queiroz, morador do bairro Morada do Parque, para chamar a atenção do Poder Público diante do abandono que o bairro recém criado estava sofrendo. Ele passou a registrar na imprensa que uma mulher de sete metros de altura estava sendo vista constantemente nas imediações do bairro, durante a noite, pois os moradores que não tinham carro, moto ou bicicleta, tinham de andar por ali a pé e no escuro. A repercussão da sua criação foi tamanha que o bairro passou a receber os melhoramentos urbanísticos, como iluminação pública, asfaltamento das ruas, redes de água e esgoto e outros benefícios.

O professor Eustáquio Filocre Saraiva, atual presidente do Instituto de Previdência Municipal de Montes Claros, relembra com nostalgia dessa situação, pois no dia 30 de setembro de 1981 ele recebeu a chave da sua casa própria no Morada do Parque, depois de sair do bairro Funcionários, onde residia. Ele afirma que na época o local não tinha via asfaltada, telefone, lotação e nem iluminação e junto com os filhos, acompanhou todo processo de urbanização. Depois de residir no Morada do Parque e criar sua família, ele passou a  morar no bairro Liberdade, que é prosseguimento do Morada do Parque. O seu irmão, Francisco Saraiva, diante da falta de estrutura do bairro, preferiu desistir da casa e devolveu a chave. Hoje é arrependido.

O Morada do Parque  desenvolveu sua ocupação após o financiamento das residências por um banco privado a funcionários públicos, por volta dos anos 1982/83. As prestações mensais eram relativamente baixas, despertando grande interesse pelo local. Quando lá chegaram, toda a infraestrutura já estava pronta, em termos de asfalto, água, luz e telefone. As casas eram padronizadas, pois possuíam o mesmo projeto arquitetônico. Eram construídas somente com o andar térreo; compostas por três quartos, banheiro, sala, cozinha; recuo dianteiro, traseiro e nas laterais do lote.  O Morada do Parque, a princípio, foi destinado à classe média-baixa.

O principal problema da área na época era a pouca disponibilidade de transporte coletivo e a distância dos centros comerciais. Esse fator fez com que muitos desistissem do lugar e emigrassem para outros bairros. Os que ficaram eram aqueles que possuíam melhores condições de locomoção. Já nessa época, o bairro era bem arborizado, mesmo assim, houve a iniciativa da prefeitura de aumentar a arborização do local. O Parque Municipal já existia e o lugar era rodeado por mata nativa. Uma curiosidade deste espaço é que, segundo os moradores, o Morada do Parque não foi intencionalmente projetado para ter as condições ambientais que tem hoje. Os espaços verdes mais próximos, na verdade, eram áreas que seriam ocupadas em pouco tempo. Apesar disso, atualmente, a satisfação da população com a qualidade ambiental do lugar é bastante pronunciada. (GA)