Delfino Magalhães espera ‘Mocão’ e cobra polícia

O presidente José Gonçalves de Freitas

O bairro Delfino Magalhães, um dos principais de Montes Claros, aguarda há 40 anos a prometida e sonhada obra do Estádio Municipal, o Mocão, com capacidade para 20 mil pessoas e que seria transformado na Arena Montes Claros. A obra é apontada como uma opção de aquecimento da economia local, pois sem duvidas, causará grandes impactos. O curioso é que a área está toda cercada por causa. O presidente da Associação dos Moradores, José Gonçalves de Freitas, o “Zé Branco”, explica que muita gente não acredita que essa obra sairá do papel, por diversos fatores e até propõem que o terreno seja usado com outra finalidade. Essa mesma posição tem o morador mais antigo do bairro, José Pereira Rosa, de 83 anos, que saiu de Brasília de Minas para viver na progressista Montes Claros.

O interessante é que o bairro chegou a ser alvo de publicação na Europa, pois a revista motricidade, de Vila Real, em Portugal, abordou a questão do orçamento participativo em Montes Claros, falando sobre o bairro Delfino Magalhães, em artigo assinado pelos professores e pesquisadores Laurindo Mékie Pereira, Luciano Pereira da Silva, Georgino Jorge de Souza Neto e Vinícius Amarante Nascimento, da Unimontes e  Márcia Pereira da Silva. Da Universidade Estadual Paulista, Porém O interessante é como as pessoas confundem os bairros adjacentes Santo Antonio, Jardim Palmeiras, Novo Delfino e Santa Lúcia como se fossem o Delfino Magalhães. É que a cidade foi dividida em 1980 em 12 núcleos habitacionais, sendo o Delfino um deles.

O presidente da Associação dos Moradores, José Gonçalves de Freitas afirma que o bairro tem poucas demandas. Uma delas é a revitalização do Pelotão da Policia Militar, pois com a nova concepção implantada pelo comando geral da corporação, acabou a presença de policiais em pontos fixos e priorizou a colocação dos militares nas ruas. O pelotão é usado apenas para registros de ocorrências, perdendo a presença constante dos policiais. O que irrita os moradores é terem de deslocarem até o bairro Esplanada ou mesmo até a sede do Pelotão ao lado do Colégio Tiradentes ou então ao 10º Batalhão da Policia Militar para serem atendidos em qualquer demanda.

 Bastou a Policia Militar desativar parcialmente a sua unidade no Delfino Magalhães para crescer a quantidade de casos suspeitos no bairro. José Gonçalves explica que tem um beco nas imediações da unidade policial que passou a ser visitado. Na época da Policia, isso não ocorria. Faz vários anos que os moradores tinham a expectativa de contar com moderno prédio Policial Militar. Inclusive foi doado terreno em  frente ao prédio da Escola Estadual Delfino Magalhães, para receber essa unidade, diante da reclamação de que o imóvel existente não atendia as expectativas.

Na área de saúde, José Gonçalves explica que o bairro está bem estruturado, mas esbarra na falta de medicamentos na unidade da Estratégia Saúde da Família. São cinco equipes que atendem toda população do Delfino Magalhães e bairros adjacentes. O presidente explica que a falta de remédios acaba provocando um certo descontentamento da população, que não entende não ser culpa dos funcionários. A Secretaria Municipal de Saúde explicou que está retomando o projeto de liberação dos medicamentos básicos. Outro problema sério é a falta de água, que nessa época do racionamento, deixa as famílias sem o produto por muito tempo.

Na educação, os moradores comemoram a ordem de serviço para a construção do Centro de Ensino Infantil, assinada pelo prefeito Humberto Souto e o secretário Benedito Said, na quarta-feira, pois acabou som sufoco de 10 anos, já que a obra foi anunciada desde 2007. O presidente afirma que nesse setor, o bairro está bem atendido, pois conta com a escola estadual Delfino Magalhães e Nossa Senhora de Fátima, além de no entorno contar com o Colégio Tiradentes, escola estadual Levi Peres Durães e as escolas municipais Jason Caetano I e II e ainda a Sebastião Mendes.

No urbanismo, são quase 10 ruas sem asfalto, sendo a principal a Olímpio Magalhães, com extensão de um quilometro e de vital relevância geográfica; assim como a avenida L, que deságua no Mocão. O prefeito Humberto Souto se reuniu com a direção da associação e prometeu fazer esse asfaltamento em 2018, quando tiver uma folga de caixa, segundo o presidente Zé Branco. Ele acredita que o asfalto será realizado, mesmo com a crise  De forma geral, o líder comunitário afirma que o Delfino Magalhães é um local bom demais para viver.

 

 

 

Pesquisa mostra efeito do fluxo migratório

 

 

 

O morador mais antigo José Pereira Rosa

O professor e pesquisador Giliarde de Souza Brito, relatou no ano de 2011 em sua dissertação no mestrado em Ciências Agrárias pelo Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais os impactos das “migrações rural/urbano e fluxos de conhecimento agroecológico: o caso de Montes Claros” os efeitos da saída de muitas pessoas de outras cidades do Norte de Minas para residir em Montes Claros. Ele identificou como o bairro Delfino Magalhães acabou sendo constituído a partir desse fenômeno, pois foi procurado pelos primeiros imigrantes que fugiram do seu habitat e cidade de origem para viverem em Montes Claros. A sua pesquisa confirma a verdadeira formação da cidade de Montes Claros, que tem uma influencia sobre os 86 municípios do Norte de Minas, ou seja, uma população de 1,724 milhão de pessoas.

 “Os resultados desta pesquisa foram surpreendentes, mas ao mesmo tempo compreensíveis e esperados, levando em consideração as especificidades históricas e econômicas do Norte de Minas Gerais. Assim, apresenta-se a seguir o resultado referente ao trabalho de campo, que resultou na aplicação de 35 questionários aos migrantes originários de cinco agroambientes do norte de Minas Gerais, a saber: Alto Rio Verde, Coração de Jesus, Gerais de São Felipe, Mata do Rio Verde e Serra Geral II. A população originada desses agroambientes se concentra com mais expressividade nos polos um, onze e doze (Santos Reis, Delfino Magalhães e Maracanã, respectivamente) na área urbana de Montes Claros. Esses foram os locais procurados pelos primeiros migrantes desses agroambientes. Portanto, são nesses espaços que as histórias rurais, laços de parentescos e amizade são encontrados” – observa o pesquisador.

O próprio presidente da Associação dos Moradores, José Gonçalves é reflexo dessa migração. Atualmente com 66 anos de idade, ele residia na comunidade rural de Riacho do Fogo, a 13 quilômetros de Montes Claros quando seu pai decidiu buscar uma vida melhor para a família. Faz 44 anos que reside no Delfino Magalhães. Chegou à cidade em 1973 e se alistou no Exército Brasileiro, sendo dispensado. Porém foi convocado para ajudar na construção da unidade militar, como servente de pedreiro. Lembra como era difícil na época, pois tinha de acordar às 4 horas da madrugada para pegar água a ser usada pela família.

Trabalhou sempre como pedreiro ou servente de pedreiro, até que na véspera do Natal, em 1991, teve uma infecção na coluna e por isso ficou internando por vários dias. O curioso que o mesmo problema seu envolveu três pessoas do bairro. Ficou tetraplégico e passou a usar cadeira de roda. As pernas perderam a força. No ano de 2008, ele contra que teve seu quadro agravado mais uma vez, e por causa  dos problemas de saúde, ouviu o conselho de uma amiga , tomando um remédio natural conhecido como barbatimão. Ele conta que quase saiu dali para o cemitério, pois os danos foram grandes. Mesmo na cadeira de rodas, aceitou o desafio e há 12 anos está a frente da Associação dos Moradores. (GA)

 

 

 

Morador mais antigo comemora avanços no bairro

 

  

A irmã Paulina Belo Castro

O aposentado José Pereira Rosa, de 83 anos, é um dos moradores mais antigo do bairro Delfino Magalhães. Faz 52 anos que ele saiu de Brasília de Minas para viver no mesmo local onde atualmente, na parte da tarde, se senta em frente a sua casa e tem orgulho do respeito dos vizinhos, pois todo mundo passa ali para cumprimenta-lo e os mais jovens, pedir bênção. Ele é admirado como o bairro sofreu transformação. José Rosa lembra que na verdade existia a disputa em colocar o nome do bairro em Novo Horizonte ou Delfino Magalhães. Prevaleceu a última opção, em homenagem ao dono da fazenda que originou a localidade. Pai de 11 filhos, avô de 14 netos e bisavô de quatro,  ele se recusa a discutir qualquer opção de trocar de bairro. Garante que: “sai dali apenas para a casa onde todos rumarão um dia: o cemitério”.

A sua ligação com o Delfino Magalhães começou cedo. Saiu de Brasília de Minas ainda adolescente para conhecer Montes Claros. Passou a morar no bairro Cintra. Sem opção de emprego, foi trabalhar na fazenda de Neco Delfino,  onde era vaqueiro e fazia de tudo. Saia a pé da casa até o serviço, passando apenas por matagal. Sequer tinha ruas abertas. Ele se emociona quando lembra que o Córrego da Vila Anália foi urbanizado a base da enxada. No ano de 1965 comprou uma área nas proximidades da fazenda, onde construiu seu primeiro quarto. Eram no máximo três casas naquela parte da cidade. Naquela época, não existia criminalidade e nem problemas sociais.  De pouco a pouco foram chegando os benefícios. Primeiro a água, depois a luz. Tempos depois, as ruas calçadas com pedra e na sequencia, o asfalto.(GA)

 

 

 

 

Irmãs ajudaram na formação do bairro Delfino Magalhães

 

 

 

 

A história do bairro Delfino Magalhães está umbilicamente ligado a Congregação Filhas de Jesus, que veio da Espanha para ajudar a transformar essa parte da cidade. A irmã Paulina Belo de Castro é uma das testemunhas vivas dessa situação, pois desde 1969 tem participado do acontecimento. Ela lembra que naquele ano o padre Henrique Munoz pediu à coordenadoria provincial a presença da congregação e foi assim que quatro irmãs chegaram ao então promissor bairro Delfino Magalhães, começando o trabalho de catequese, que depois foi ampliado para educação e saúde. Irmã Paulina trocou o clima de sua cidade natal Formiga, no Centro Oeste pelo sol abrasador de Montes Claros. Ela lembra como o bairro era desabitado, com muito mato e poucas casas.

Foi assim que a Congregação Filhas de Jesus construiu o prédio para celebrar as missas. Depois vieram as duas salas de aulas e os gabinetes médico e odontológico. Nesse esforço, a irmã Paulina lembra até hoje o susto que ocorreu em 1996, quando se fazia a festa junina da comunidade religiosa e uma guerra de gangues provocou a invasão do espaço, com um dos envolvidos tendo sido ferido a bala. Ainda no seu trabalho comunitário, as irmãs ajudaram a regularização das terras das famílias. Ela se sente satisfeita com os resultados alcançados no bairro.

A pedagoga Marluce Oliveira Araújo, diretora da escola Nossa Senhora de Fátima, vinculada a Congregação, explica que no dia 11 de março de 2018 serão comemorados os 50 anos de atuação dos religiosos no bairro Delfino Magalhães e os resultados estão em números. São 301 alunos na escola, que ainda desenvolve o projeto Acelerar, para 25 alunos que tiveram dificuldade no aprendizado e o projeto Semeando Habilidades, com 100 crianças de 7 a 17 anos, que recebem instruções esportivas e sociais, com o aprendizado e valores morais e éticos. Ela afirma que são pessoas com vulnerabilidade social. (GA)

 

  

 

Portugal abordou lazer no bairro Delfino Magalhães

 

  

As obras de asfaltamento anunciadas na véspera da
eleição do ano passado não foram concluídas

O bairro Delfino Magalhães foi alvo de três pesquisas cientificas. A principal delas organizada pelos professores e pesquisadores Laurindo Mékie Pereira, Luciano Pereira da Silva, Georgino Jorge de Souza Neto e Vinícius Amarante Nascimento, da Unimontes e  Márcia Pereira da Silva, da  Universidade Estadual Paulista e publicada em 2012 em Portugal, pela revista Motricidade, onde aborda o orçamento participativo em Montes Claros. Eles enfatizam que “o lazer é um dos componentes responsáveis pelo desenvolvimento social, podendo comprometer-se com intervenções políticas, que tanto podem perpetuar as circunstâncias sociais de desigualdade, como contribuir para o desenvolvimento pessoal. Como direito social constitucional, o lazer deve ser oportunizado a todos, pois pode ser instrumento real de crescimento e transformação”.

 “Para isso são necessárias políticas públicas que democratizem seu acesso e construam espaços de sociabilidade. Este artigo teve como objetivo discutir a reivindicação da população por políticas públicas de lazer a partir de dados do orçamento participativo na cidade de Montes Claros-MG no ano de 2007. A análise desses dados permitiu investigar o lugar do lazer no conjunto das reivindicações populares por melhores condições de vida e problematizar como essa questão integra as relações sociais e políticas que se estabeleceram no município nas últimas décadas, período de descentralização política administrativa com emergência de uma sociedade civil mais vigorosa, bem como dos chamados novos movimentos sociais. Neste sentido, foi possível apontar que o lazer ocupa um espaço pouco prioritário nas demandas populares, bem como uma centralização dos interesses físicos do lazer. Por fim, pôde-se

constatar que, no direcionamento da coleta de dados com fins à elaboração do Orçamento Participativo, por parte do poder público local, fica pouco explícita a metodologia de aplicação do mesmo”.

No caso do Delfino Magalhães, os pesquisadores pedem a melhoria da quadra do bairro. Citam que em Montes Claros, o Orçamento Participado  foi implantado como parte de um projeto mais amplo de administração participativa que se auto intitulava Governança Solidária. A vitória eleitoral da aliança Partido Popular Socialista- PPS/Partido dos Trabalhadores-PT foi um fato inédito na história do município. Nas palavras de Rudá Ricci “a vitória de uma coligação de esquerda” [em um] “tradicional reduto do conservadorismo clientelista mineiro (...) foi uma das grandes surpresas das eleições municipais de 2004”

 O Orçamento Participativo reuniu dados de 159 bairros, distribuídos em 12 pólos administrativos: Centro (14 bairros), Cintra (12 bairros), Delfino Magalhães (14 bairros), Independência (13 bairros), JK (14 bairros), Major Prates (15 bairros), Maracanã (14 bairros), Renascença (7 bairros), Santos Reis (20 bairros), Vila Oliveira (12 bairros), S. Judas (15 bairros) e Alto São João (9 bairros). A pesquisa teve caráter bibliográfico associado à pesquisa com fontes primárias. No caso do documento analisado (Orçamento Participativo) trata-se de uma fonte primária oficial, pois o grupo que o produziu estava no comando das ações políticas municipais. (GA)